Naufrago


Sou um marinheiro perdido
Atracado num porto distante
Num barco escondido
Neste mundo gigante

Vagueio por aí sem rumo
De alma envenenada
Por essa noite vazia
Cortando o tempo à navalhada

Voltei as costas ao futuro
Embriaguei-me com o riso do passado
À muito não trespassa esse muro
Desta vida estagnada

De que vale ter o mapa
Se o barco está parado
Avistar a terra prometida
Tendo o fim já traçado

Notas da Paixão


Dedilho notas incandescentes
Na tua cútis de maciez perfeita
Não tenho palavras suficientes
Para o calor que me invade

Vai subindo, degrau a degrau
Sem pressas, sabe que no fundo
Aprecio o toque abrasador
Invade-me arrogante, requintado

Adoro degustar esse tépido aroma
Tão único que não o sei desvendar
Perco-me no aconchego do seu colo
Sentindo o calor do desejo a chegar

Palavras incoerentes, brotam do nada
Desabrocham, como uma rara flor
Poderosas e ao mesmo tempo frágeis
Tão intensas que provocam dor

Gritos abafados, corpos cansados
Pequenos longos instantes de uma morte deliciosa
Onde os sentidos agrilhoados
Finalmente são poderosamente libertados