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Doce Veneno

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Sorvo um gole desse doce veneno
Não consigo mais negar
O corpo abandona-se, flutua
Deixando-se finalmente embriagar
Sinto-o a queimar-me as entranhas
Fazendo sucumbir a carne vazia
Percorre célere as minhas veias
Fazendo explodir o coração
Nessa adorável e vã loucura
Sufoco-me, afogo-me
A minha mente não é mais sã
Afundo-me, sem lutas, nem barreiras
De repente tudo enegrece
Sinto uma terrível solidão
Não mais te vejo, não mais te toco
Sinto cá dentro a flamejar
Este maldito veneno
Que me inflama a alma
Que faz sucumbir o meu corpo
Sinto a bofetada da realidade
Atinge-me em cheio, nesse devaneio
Acordo, sonâmbula nesse pesadelo
A realidade forjada, fantasiada
Pelo meu estúpido e louco coração

Apaixonar-se...

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Como é bom Apaixonar-se...

Seja pelo trabalho,
Pelos amigos,
Pelo nosso(a) amado(a),
Pela família,
Pelos nossos sonhos,
Pela felicidade,
Pela vida...

Enfim, por tudo...
Às vezes por nada...

Quando abrimos o coração,
E estendemos sem receio,
Gentilmente a nossa mão,
E agarramos a oportunidade,
Sem medos ou reservas...
De nos Apaixonar-mos,
O mundo muda completamente,
Tudo à nossa volta enaltece.

Perpetuamos o que existe de mais valioso,
De mais precioso que existe no universo....

O Amor...A Amizade...

Quero aproveitar todos os segundos,
Os Minutos,
As Horas,
Os Dias,
As Semanas,
Os Meses,
Os Anos,
Os Séculos...

Quero simplesmente viver...
E...
Apaixonar-me por algo novo e vibrante...

Tal como a tela de um pintor...
As cores da vida somos nós que as escolhemos,
Que as desenhamos...
Que as pintamos...

E no fim do dia,
Verei que tive a oportunidade única,
De pintar a Obra da minha Vida...
De a saber viver...
De a aproveitar sem recear...
De simplesmente saber Amar...

Vida Sem Sentido

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O relógio parou....
A felicidade em mim,
Simplesmente estagnou...

Sinto os dias a passar.
O ponteiro do relógio,
Parece nunca mais andar...

Adiar a volta para casa,

Começa a tornar-se uma constante...
Parei... olhei...
Quero andar para a frente...

Mas sou puxada para trás...

Perco-me de mim mesma...

Os passos recuantes são determinados...
Não consigo resistir à sua tendência...

Levam-me a um ponto sem retorno....

Levam-me a essa ténue barreira...

Que fica entre a demência...
E a consciência...
Sinto a confusão...
Mas também a indiferença...

O sofrimento estava controlado...
E profundamente adormecido...

Mas...
agora...
Quero viver...

Quero voltar a sorrir...
Quero sentir-me viva...
Amada... desejada...
Quero ter um sentido...

Nesta vida sem sentido...

Quem Sou

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Não sei quem sou,
Ou se alguma vez já fui,
Só sei que vivi como uma louca,
Hoje tudo se dilui,
Parece sempre pouco...

Nas ruas e vielas me perdi.
Os amigos guardei-os,
No baú da memória,
Tudo o que vi e o que não vi...
São hoje meras sombras,
Da minha tenue existência...

Ser Simplesmente Eu...

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Quero...
Saber perdoar,
Mesmo que não tenha perdão.
Quero...
Ver as virtudes dos outros,
Mesmo quando todos à minha volta só vêem pecado.
Quero...
Poder dar um sorriso de presente,
Quando alguém estiver a chorar.
Quero...
Nunca ferir,
Mesmo quando sou mortalmente ferida.
Quero...
Nunca magoar ninguém,
Mesmo sendo magoada.
Quero...
Poder dar,
Sem esperar receber.
Quero...
Amar intensamente,
Mesmo sendo odiada compulsivamente.
Quero...
Ser sincera,
Mesmo que tudo o resto seja falso.
Quero...
Ser justa,
Mesmo que eu seja injustiçada.
Quero...
Gritar bem alto,
Quando me quiserem silenciar.
Quero...
Compreender os que me rodeiam,
Mesmo que ninguém me compreenda a mim.
Quero...
Abrir o meu coração,
Disposta a amar todos os que me odeiam.
Quero...
Ser amiga,
Mesmo que só tenha inimigos.
Quero sobretudo...
Em todos os momentos.

Ser Simplesmente Eu...

Cemitério Da Vida

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Nesse cemitério infindável,
Um dia eu vagueei,
Senti-me algo perdida,
Mas logo me reencontrei.

Nesse vácuo infinito vi o berço da vida,
Onde todos nascemos, seres puros e castos,
De alma virgem e sem maldade,
Crescemos de olhos esbugalhados,
Tentando alcançar a felicidade.

Nesse meio tempo,
Que temos de viabilidade,
A perdição instala-se,
E tudo passa a ser saudade.

Saudade da pureza,
Que um dia possuímos,
E esse mundo errante nos arrebatou,
Cruelmente nos tirou.

Acabamos por fenecer,
Tal qual uma flor ressequida,
Caímos prostrados, nesse buraco intemporal,
Secos e desidratados,
Onde nada mais nos poderá fazer mal...



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