Desejos

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Vê o que os meus Olhos pedem.
Consegues adivinhar?
Querem observar cada centímetro do teu corpo.

Olha a minha Boca.
Adivinha o que ela quer.
Quero devorar-te incansávelmente.

Olha a minha Pele.
Quero Roçar-me...
Acariciar a tua cútis com a minha.
Fazer-te vibrar com a minha maciez.

Olha o meu corpo.
Quero...
Preciso...
Almejo intensamente possuir-te!

Vaguear

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Estou com uma vontade louca
De passear, de vaguear pela chuva
De me perder na imensidão
Deixar o meu corpo molhar-se
E com a água a tristeza
Deixa-la esvair-se do meu ser
Quero lavar a alma
Purifica-la de todos estes pensamentos obscuros
Quero passear entre o céu e a terra
Entre o que sou e o que não sou

Sem Resposta

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O Amor sem resposta
É eterna agonia
É pungente dor
Feita de escuridão e melancolia

É um sufoco, uma falta de ar
Um intenso aperto no peito
Um lento sufocar
A perspectiva da vida sem alento

É morrer de medo, de desespero
E no pulsar de tão horrenda agonia
Teme-se uma vida sem brilho e sem tempero
É cair desamparada no vazio

Sentir uma inadiável necessidade de suspirar
Para tentar aliviar o peso no peito
O cataclismo, que se sente a aproximar
Não se encontra um outro jeito de ludibriar

É como um esvaziar de vida
Vem súbito, repentino
Faz o coração, entrar num turbilhão
E lança a alma, num verdadeiro desatino

Partiste...

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E num momento, tudo o que se fazia presente
Evaporou-se, ficou o vazio, a ausência.
Não houve despedidas, nada mais restou.
Além da chuva mansa que fecundou a minha agonia.

Fiquei nesse porto abandonado, qual borboleta sem asas.
Ninguém por perto, a não ser a saudade como companheira.
Que iluminava sem escrupulos, esse deserto, sem pressas.
E num frenesi louco, desvairado, adormeci finalmente...

Mato a saudade com veneno, a conta-gotas.
Partiste sem olhar para trás, sem despedida.
Sangra o coração rasgado, a alma vazia.
Fiquei parada, triste. Amargando a dor da partida.

Em algum lugar a tua alma repousa.
Partiste, mas espero o teu regressar.
Entre esses jardins te aguardarei,
Até um dia te poder voltar a abraçar.

Um Adeus

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Vivi para ti,
Não sei bem porque o fiz,
Talvez por uns instantes,
Frugais momentos de prazer,
Umas noites bem passadas,
Mas nesses esporádicos momentos,
Tu fazias-me feliz,
Ainda que só por uns instantes...
Gostava de partilhar contigo,
Gostava de te sentir,
Gostava de te abraçar,
De ouvir a tua voz.

Nesse fugaz tempo,
Em que estávamos juntos,
Fazias-me sentir a mais feliz das mulheres,
Contudo, noutros, fazias-me mal,
Depreciavas o que fazia,
O que na realidade era... o que sou!
Ficava dias sem te ver, sem saber de ti,
Fazias-me mal, pois eu não conseguia perceber,
O porquê das tuas fugas, do teu desagrado.

Tudo isso para de um momento para o outro,
Apareceres como se nada tivesse passado...
Nunca deste uma única razão para a tua atitude,
Aprendi a conviver contigo, mas principalmente,
Aprendi a amar-te em silêncio, a ser paciente...
Não te incomodava com mensagens inoportunas,
Tentei manter-me afastada... mas ao teu alcance.

Mas...

Deixei-te partir aos poucos e poucos,
Pois quando tu mostravas disponibilidade,
Era por puro egoísmo, o teu ego precisava de carícias,
A minha alma foi endurecendo, ficando insensível.
E tu...
Foste-te afastando aos poucos e poucos,
Até que um dia o meu coração disse-me: perdeste-o...
Mas como se pode perder algo que nunca se possuiu,
Estou ressequida, nada ficou.
Simplesmente deixei-te ir...

Lembranças

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Onde estiveres
Não te esqueças de mim
Com quem estiveres
Mantém-me no teu pensamento
Quero apenas estar contigo
Seja de que maneira for

Por um momento pensar
Que pensas em mim também
Mesmo que já exista outro amor
Que já tenha preenchido o teu coração

Quero que guardes na lembrança
Um pouco de mim, como te fiz feliz
Quero que te lembres
Que por mais que eu tente
Nunca te irei conseguir apagar da minha alma

Fluíste em mim tal qual a maré
Que vai e vem
Embriagaste-me com as tuas palavras
Ditas no silêncio do teu olhar

Doce Veneno

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Sorvo um gole desse doce veneno
Não consigo mais negar
O corpo abandona-se, flutua
Deixando-se finalmente embriagar
Sinto-o a queimar-me as entranhas
Fazendo sucumbir a carne vazia
Percorre célere as minhas veias
Fazendo explodir o coração
Nessa adorável e vã loucura
Sufoco-me, afogo-me
A minha mente não é mais sã
Afundo-me, sem lutas, nem barreiras
De repente tudo enegrece
Sinto uma terrível solidão
Não mais te vejo, não mais te toco
Sinto cá dentro a flamejar
Este maldito veneno
Que me inflama a alma
Que faz sucumbir o meu corpo
Sinto a bofetada da realidade
Atinge-me em cheio, nesse devaneio
Acordo, sonâmbula nesse pesadelo
A realidade forjada, fantasiada
Pelo meu estúpido e louco coração

Frio Na Alma

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Por vezes...
Queria entender
Este frio hediondo
Que me vai na alma
Cresceu e foi fecundado
Inúmeras vezes
Dado à luz outras tantas

E eis que finalmente
Acaba por fenecer
Por entre as cortinas
Abertas da memória
Em que é reflectido
No espelho da realidade
Onde me vejo ali
Caída, Despida
Perdida em mim mesma

O Que Será?

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O que é esta sublime inspiração?
Que me faz violentamente sonhar
Será o amor?
Essa jóia de rara beleza?
Surge do nada...
E instala-se no coração.
Até se tornar numa intensa realidade.
Inunda a alma tal qual um diluvio...
Propagando-se por toda a atmosfera.
Ai essa coisa chamada de amor...
Não será antes paixão?
Aquela em que nos rebenta de luxuria...
Aquecendo-nos com a temperatura de mil sóis...
Sim...
Esse louco e vibrante sentimento.
Que arrebata até os corações mais obsequiosos.
Fazendo-nos cavalgar céleres.
Em sentimentos libidinosos.

Imagem @ WWW

Sitio Especial

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Hoje busquei um pouco de solidão
Senti a necessidade imperiosa
De ir ao meu lugar de meditação

Sentei-me a olhar cegamente
O mar escuro e revolto
Imenso à minha frente

Pensamentos sombrios
Cruzaram a minha mente
Sentimentos obscuros

Revolveram o meu subconsciente
Busquei consolo nas recordações
Mas até elas fugiram fútilmente

Um soluço escapou ruidosamente
Senti um aperto no peito
Pergunto-me se "ele" ainda sente

As lágrimas brotam
Húmidas e sentidas
Pelas faces rolam

Lavam a alma denegrida
Mancham a pele frágil
Deixando-a enegrecida

Senti o corpo gelado
Abandonado nesse ocaso
O sol estava já deitado

Na noite me perdi
Vagueei sem rumo
E na escuridão me dilui...

Vem...

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Vem... Estou carente
O meu amor por ti
É causa urgente

Vem... Quero-te abraçar
Docemente nos meus braços
Poder te embalar

Vem... É noite de luar
Não me deixes assim
Pelo teu carinho esperar

Vem... Pela madrugada
Inundar-me de amor
Até não restar mais nada

Naufrago

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Sou um marinheiro perdido
Atracado num porto distante
Num barco escondido
Neste mundo gigante

Vagueio por aí sem rumo
De alma envenenada
Por essa noite vazia
Cortando o tempo à navalhada

Voltei as costas ao futuro
Embriaguei-me com o riso do passado
À muito não trespassa esse muro
Desta vida estagnada

De que vale ter o mapa
Se o barco está parado
Avistar a terra prometida
Tendo o fim já traçado

Notas da Paixão

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Dedilho notas incandescentes
Na tua cútis de maciez perfeita
Não tenho palavras suficientes
Para o calor que me invade

Vai subindo, degrau a degrau
Sem pressas, sabe que no fundo
Aprecio o toque abrasador
Invade-me arrogante, requintado

Adoro degustar esse tépido aroma
Tão único que não o sei desvendar
Perco-me no aconchego do seu colo
Sentindo o calor do desejo a chegar

Palavras incoerentes, brotam do nada
Desabrocham, como uma rara flor
Poderosas e ao mesmo tempo frágeis
Tão intensas que provocam dor

Gritos abafados, corpos cansados
Pequenos longos instantes de uma morte deliciosa
Onde os sentidos agrilhoados
Finalmente são poderosamente libertados

Longo é o Caminho

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Sigo por este caminho interminável
Uma linha recta de terra árida, estéril
Estende-se, alonga-se infindável
Bem lá longe ao fundo do horizonte


Cansada, olho para trás
Um denso nevoeiro avança
Corre ao meu alcance
Devorando qualquer fuga possível


Apavorada, olho em volta
Altos muros de espinhos cercam-me
Ladeiam esta estrada maldita
Inibindo qualquer escape


No chão à minha frente, desvendo
As curvas de um corpo sinuoso
Que claramente suplica, implora
Por um pouco de repouso


Sigo célere, essa viagem sem volta
Tento a todo o custo encontrar um fim
Olhos cansados, imploram, buscam
Um local seguro onde finalmente


Poderei repousar…


**


Com muito amor e saudade de ti, Mãe

Partículas de Ti

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Preciso de ti
Para não navegar
Por aí à deriva
Sonâmbula...
Na rota incerta do desejo
Quero ouvir os teus gemidos
Suavemente pendurados nas estrelas
Agarro entre os meus dedos
As partículas da tua cútis
Invento a cor dos teus suspiros
Mergulho incansável
No imenso dos teus braços
Em busca do perfume
Do teu desejo...

Noite Cruel

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A noite lentamente invade
Com os seus mistérios

Seduzindo-me vagarosa
Penetra os meus domínios

Invade os meus pensamentos
De emoções estranhas
Correm desenfreados
Ocultas nesse labirinto

Ouço o seu riso cruel
Ecoa nesse espelho quebrado
Onde fica a contemplar
O meu corpo no teu entrelaçado

**

Imagens @ www

Medo

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Sinto o coração apertado
A cabeça estala de tensão
A escuridão abraça-me
Como um amante possessivo

Olho cegamente ao meu redor
Procuro refugio no ruído do sol
Quero tocar delicadamente
O brilho incandescente do mar

O medo aprisiona-me repentinamente
A dor devora esfomeada
As minhas já ténues forças
Estou cercada por muros infinitos

Faço um esforço sobre humano
Mais um... Além de todos os que já fiz
Esgotada, um grito surdo emudece-me
Os olhos choram secos pela dor

**

Dedicado ao A.S.
Que a eternidade te abrace serenamente

**

Imagem @ www

A Ti Mãe...

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Dilacerei o passado doído
Que lá bem no fundo
Está mal resolvido
Quero atirar bem para longe
Os espinhos envenenados
No mar do esquecimento

Quero costurar as cicatrizes
Da minha rasgada alma
Manchada de sangue vivo
Arranquei do álbum das recordações
Preciosos velhos momentos
Registos de um sorriso
Agora em eterno tormento

Tento aconchegar mansamente
o que outrora perdi
A essência da felicidade
Deixada em desalinho
Aqueci a saudade
Com o brilho do meu olhar
Até que senti brotar
Lentamente uma gota
De pálida claridade

Cantei tristemente
E na ânsia da espera
Fiz-me quimera
A tudo que eu era
Como um trovador embriagado
Cantei... fertilizei
Com chuvas de lágrimas
O meu deserto
Que se encontra
Eternamente submerso
Bem lá no fundo do Universo



***

Imagem @ www

* Marinheiro *

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Quero ser o marinheiro hábil
Que navega incansável
Que sulca perigosamente
Essas águas turbulentas

Desafiando os teus domínios
A mim desconhecidos
Onde o meu navio naufraga
Na imensidão da tua complexa maré

Afogando-me docemente
No turbilhão de emoções
Para ser ressuscitado
Pelo ósculo da vida

**
Imagens @ www

...Tudo Destoa ...

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O teu vinho tinto apurado
o meu ice tea gelado

o teu fato e gravata
o meu decote que mata

o teu cabelo com fios grisalhos
os meus imaculadamente pintados

o teu olhar disfarçado, meio enviesado
o meu brincalhão de brilho atrevido

a tua poesia suave, melódica
a minha agressiva, algo liríca

os teus apetites normais...
os meus puramente carnais...


íncrivel...

apesar de destoar...
não deixa de rimar...

Com tecnologia do Blogger.

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